3. Arquitetura Neoclássica no Brasil

Contexto Histórico

Imperial Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro. Fonte: http://bit.ly/9GswVK

Napoleão, que em 1804 proclamou-se imperador da França, decretou o Bloqueio Continental em 1806, fechando o continente europeu à Inglaterra criando todo tipo de dificuldades econômicas, a fim de desorganizar a economia inglesa.

A economia portuguesa havia muito se encontrava subordinada à inglesa. Daí a relutância de Portugal em aderir incondicionalmente ao bloqueio. Napoleão resolveu o impasse ordenando a invasão do pequeno reino ibérico. Sem chances de resistir ao ataque, a família real transferiu-se para o Brasil em 1808, sob proteção inglesa.

Em 1808, com a transferência da corte portuguesa para a colônia e com a chegada da família real de Dom João VI no Brasil, iniciou-se uma nova fase na arquitetura brasileira. A origem do neoclássico do Brasil geralmente é atribuída à Missão Francesa, contratada para fundar e dirigir no Rio de Janeiro a Escola de Artes e Ofícios, conhecida mais tarde, em 1826, como Imperial Academia de Belas Artes. Ela trouxe artistas como Jean-Baptiste Debret, Johann Moritz Rugendas e o arquiteto Grandjean de Montigny.

As mudanças na arquitetura

Palácio Imperial, Petrópolis - RJ, 1854. Fonte: http://bit.ly/adZJK4

A arquitetura da época firmou-se em duas versões: o neoclássico oficial, da Corte, quase todo feito de importações, e a versão provinciana, simplificada, feita por escravos, exteriorizando nos detalhes as ligações dos proprietários com o poder central. O neoclássico oficial se desenvolveu nos centros maiores do litoral, como Rio de Janeiro, Belém e Recife, que tinham contato direto com a Europa, e que desenvolveram um nível mais complexo de arte e arquitetura e se integraram nos moldes internacionais da sua época.

As residências urbanas utilizavam-se ainda das mesmas soluções de implantação dos tempos coloniais: sobre o alinhamento das ruas e sobre os limites laterais dos lotes. A parte da frente das residências destinava-se aos salões e a área social da casa, para dentro ficam as alcovas, quartos e salas de jantar, e aos fundos, o serviço. Os porões, que aparecem sob o térreo, marcado pela fileira de óculos alinhados sob as janelas dos salões, são utilizados ora como locais de serviço, ora como depósito de lenha, liberando o térreo para utilização com cômodos de permanência diurna.

Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro, 1855. Fonte: http://bit.ly/cXSWs8

Na arquitetura urbana prevaleceu clareza construtiva. Era caracterizada pela simplicidade formal, com cornijas e platibandas como recurso formal. As paredes, de pedra ou tijolo, eram revestidas e pintadas de cores suaves, como o branco, rosa, amarelo e azul-pastel, apresentavam corpo de entrada salientes, com escadarias, colunatas e frontões e valorizavam a decoração dos interiores com revestimentos e pinturas. Em geral as linhas básicas da composição eram marcadas por pilastras, sobre as quais, nas platibandas, dispunham-se objetos de louça do Porto, como compoteiras ou figuras representando as quatro estações do ano, os continentes, as virtudes, etc. Janelas e portas se destacavam enquadradas em pedra aparelhada e arrematadas em arco pleno, em cujas bandeiras dispunham-se rosáceas mais ou menos complicadas, com vidros coloridos.

Fazenda do Secretário, em Vassouras, no Rio de Janeiro, século XVIII. Fonte: Mirian Thomé em http://bit.ly/aX23rr

As casas rurais obedeciam aos padrões da arquitetura residencial urbana mais modesta, era nos interiores que mais se aproximava dos padrões da Corte, onde graças à cultura do Café se desenvolvia uma intensa vida social. As transformações arquitetônicas mais uma vez se limitavam as superfícies, com papéis decorativos ou pinturas sobre as paredes de terra criando a ilusão de um espaço novo.

É interessante observar que, mesmo considerados todas as adaptações sofridas no Brasil pelo Neoclassicismo ou por outros movimentos artísticos, verifica-se uma tendência justamente nas camadas consumidoras. Com uma arquitetura que estava na dependência de importação de materiais e mão-de-obra especializada ou que apenas disfarça com aplicações superficiais a precariedade da mão-de-obra escrava, o neoclássico não chegou a corresponder a o aperfeiçoamento maior da construção no Brasil.

Fazenda Cachoeira do Mato Dentro, em Vassouras, século XIX. Fonte: http://bit.ly/cSW0EX

Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, 1894. Fonte: http://bit.ly/bNtYG3

Fontes consultadas:
Arquitetura Neoclássica. Disponível em: http://www.histeo.dec.ufms.br/trabalhos/teoria3_2007/Neoclassico.pdf
FILHO, Nestor Goulart Reis. Quadro da Arquitetura no Brasil. 10ª Ed. São Paulo: Editora Perspectiva. 2004.

3 Respostas para “3. Arquitetura Neoclássica no Brasil

  1. ficou muito ,massa fiz o meu trabalho baseado nesse texto e tenho certeza que vou atingir a meta esoerada.

  2. Karina

    eu amei esse texto, mt obrigada

  3. luana

    Olá! O texto está muito bom, mas senti falta do que está acontecendo na Europa e no Brasil nesse periodo do fim do séc XVIII e inicio do século XIX. Assim ficaria mais fácil assimilação, estudando a história como um todo. Está muito enxuto.
    E a fonte é maravilhosa. O grandioso Nestor Goulart como arquiteto e professor da história da arquitetura!

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