10. Arquitetura Regional – A cidade de Chapecó

Foto da casa do Selistre de Campos. Hoje a edificação abriga o museu municipal e está localizada no Parque de Exposições da cidade.Foto: Ana C. Coldebella

Chapecó é uma cidade localizada na região oeste de Santa Catarina, na divisa com o estado do Rio Grande do Sul e a aproximadamente 600 quilômetros da capital do estado, Florianópolis. Por essa distância do litoral – que fora colonizado ainda no século XVI – sua colonização é um pouco tardia, tendo início já na segunda metade do século XIX. Sendo feita principalmente por agricultores e serralheiros descendentes de alemães e italianos vindos do Rio Grande do Sul.

Escola Estadual Marechal Bormann, fundada em 1930, um dos prédios mais antigos de Chapecó, encontra-se em mau estado de conservação.Foto: Ana C. Coldebella

Essas características da população, somadas a abundância das matas de araucária locais fizeram com que a região se desenvolvesse a partir da madeira, sendo essa a principal característica da arquitetura do começo da colonização. Com o passar do tempo, a cidade foi se desenvolvendo, e também as construções, que passaram a ser feitas em alvenaria em torno da década de 1950. A cidade teve seu primeiro ápice de crescimento na década de 1970 do século passado, quando foi instalado o primeiro frigorífico.

A tradicional e antiga casa da família Bertaso já abrigou uma escola prímária, e, recentemente, passou por uma transformação após uma feira de decoração, e depois de reformada, abriga um espaço para eventos.Foto: Ana C. Coldebella

A partir de então, outras indústrias vieram e com elas um aumento da população e do capital da cidade. Dessa forma, houve também um desenvolvimento das edificações e das técnicas construtivas, surgindo os primeiros edifícios em altura.

O atual prédio da lotérica já foi a primeira rodoviária da cidade. Atualmente encontra-se em mau estado de conservação.Foto: Ana C. Coldebella

Na década de 1980, houve uma estagnação econômica, que refletiu na cidade e na sua arquitetura. Essa “crise” foi revertida na década seguinte, com a instalação de outras indústrias e aumento do comércio local. Isso refletiu na arquitetura que se desenvolveu bastante no período, característica que se mantém até hoje.

Residência unifamiliar da década de 80. Projeto do engenheiro Paulo Magalhães.Foto: Ana C. Coldebella

Atualmente, registra-se um grande desenvolvimento na construção civil local, bem como certa elevação na qualidade das obras edificadas, principalmente no âmbito residencial unifamiliar. Sendo pautada principalmente pelo mercado imobiliário, a arquitetura produzida não possui um alto padrão arquitetônico, o que agrada investidores, mas gera reclamações dos usuários. O estilo arquitetônico atual da cidade segue uma linha um pouco mais “modesta” se comparada a arquitetura produzida em escala nacional. A utilização de linhas mais retas, cor branca, elementos em madeira e vidro caracteriza as produções mais recentes.

Um exemplo de produção arquitetônica recente na cidade de Chapecó. Projeto pautado no conceito de sustentabilidade da arquiteta Mariane Costella.Foto: Ana C. Coldebella

Outra tendência que se tem observado no campo da construção civil chapecoense é o uso do conceito de sustentabilidade em algumas obras. Esse conceito agora também é reforçado pela obrigatoriedade do recolhimento das águas pluviais nas edificações, devido a lei municipal. Porém, o que se observa é que algumas obras se aproveitam desse conceito para fins meramente comeciais, sendo que na realidade não são fiéis a conceituação.

Edifício residencial multifamiliar exemplificando a arquitetura atual. O edifício está sendo construído pela Rotesma Engenharia e Construções LTDA. Foto: Ana C. Coldebella
Referências:
PAIM, Elison Antonio. Industrialização e Educação. Chapecó: Argos, 2003.
WERLANG, Alceu Antonio. A colonização do oeste catarinense. Chapecó: Argos, 2002.

2 Respostas para “10. Arquitetura Regional – A cidade de Chapecó

  1. Goste do site. Parabéns pela iniciativa. Cheguei a ele pesquisando sobre arquitetura neoclássica. Sou gaúcho, mas moro já há alguns anos em Bananal (SP), cidade que enriqueceu durante a cultura do café, período me marcou a expansão do neoclassissismo no Brasil.

    Abraços,
    Martin Winter
    http://www.valehistorico.blogspot.com

  2. Paulo de Magalhães Neto

    Parabéns, gostei muito mas é necessária uma correção. Eu tenho a formação em Arquitetura e Urbanismo, além de Engenharia Civil, ambas na UFRGS. Ainda cursei Direito e um Mestrado de Desempenho de sistemas construtivos, o primeiro pela Unochapecó e o segundo pela UFSC. Obrigado

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