9. Arquitetura Contemporânea

O passado recente da modernidade é ponto de inspiração para a arquitetura contemporânea. É constatado que ao longo da década de 90, surge uma arquitetura progressiva em conjunto com ideais construtivos, como rigor das formas, além de uma busca pela tecnologia, porém, de forma mais amena do que os extremos da arquitetura moderna.

É válido ressaltar o caminho oposto percorrido pela produção pós-modernista, que negava conquistas tecnológicas importantes, como os grandes vãos, transmitindo em algumas vezes uma aparência enganosa em seus edifícios, como vedações com aspectos de paredes autoportantes, em detrimento da suspensão própria das estruturas independentes. Essas práticas adotadas pelos então pós-modernistas tinham como argumento a crise do petróleo de 1973, e por isso se questionava a viabilidade das cortinas de vidro assim, retorna o predomínio nas fachadas de paredes sobre aberturas, como forma de conservar a energia. É possível encontrar exemplos internacionais nas obras de Michael Graves (edifício Portland), Aldo Rossi e Mario Botta.

Ao contrário da produção moderna, a arquitetura contemporânea olha bastante para o passado e não o a nega. Mas seu grande foco é o futuro, apresenta otimismo e determinação, cria uma perspectiva com horizonte mais largo, nega-se a se impor aos limites conhecidos, e toma modelos do passado a serem copiados ou adaptados timidamente.

Poltrona Barcelona – Mies Van der Rohe

Os conceitos da arquitetura contemporânea e moderna se confundem, um recente livro de Lauro Calvacanti questiona se a produção atual brasileira ainda é moderna. Segundo o autor Roberto Segre, o panorama da produção dos jovens arquitetos brasileiros é o “neomodernismo” que tem grande presença em obras paulistas, mineiras e cariocas, e que faz o uso da arquitetura moderna como repertório preservado.

A síntese da aparência das obras contemporâneas esta remetida a arquitetura moderna. O principal ponto de contato entre o moderno e o contemporâneo é a vontade de não parecer que está sendo feito a utilização de formas ou repertórios semelhantes, mas sim, no retorno de uma abstração presente no processo de projeto. Fatores menores, mas de grande valor contribuem para transmitir semelhança entre os dois períodos, como a revalorização do design moderno produzido ao longo de meio século: móveis, luminárias e outros acessórios criados por Mies van der Rohe, Le Corbusier, Charlotte Perriand, Arne Jacobsen, Achille Castiglione, Harry Bertoia e os Eames, entre muitos outros, estão mais presentes do que nunca nos interiores despojados das numerosas publicações sobre a arquitetura atual, estimulando a ligação entre moderno e contemporâneo.

O que se pode de uma arquitetura contemporânea? Que seja absolutamente atual, sem busca aos tabus modernos. É natural que a arquitetura presente siga plural como a sociedade de seu tempo, carregando desde deconstrutivos a “neomodernos”, passando por tonalidades historicistas e permissões comerciais pitorescas ou kitschs intelectualizados. Sem sombra de dúvidas, deve ser definida contemporânea a arquitetura que representa o presente, mostrando a que pé está à tecnologia e sensibilidade estética do momento em que vivemos.

Na atualidade os moldes da geração da arquitetura equilibram-se entre um determinado conhecimento prévio do tema – os modelos e soluções exemplares – e a capacidade de abstrair propondo soluções especificas para cada caso. É valido destacar que no caminho para arquitetura atual, a prática profissional vem demonstrando que há um retorno da abstração no projeto, como forma de transpor o existente, prosseguir. É força de expressão conceituar a arquitetura como “abstrata”, no campo da arquitetura sempre haverá abstração, o que pode oscilar muito é a sua participação no processo.

Clínica Odontológica em Orlândia (1998) – MMBB

Alguns exemplos podem ser tomados nessa linha de pensamento como a Clínica Odontológica em Orlândia (1998), a Residência Mariante (2001) e a Residência em Ribeirão Preto (2004) obras de Angelo Bucci e de sua sociedade com o escritório MMBB. São trabalhos recentes inovadores que tomam obras de Paulo Mendes da Rocha como referências visíveis.

Isto não significa, entretanto, que toda arquitetura deva partir de referências explícitas para atingir sucesso, muito menos de determinadas fontes eleitas que estejam “em moda”. Dentro do culto vigente ao passado recente, também não é aceitável que os antecedentes exemplares tornem-se ideais platônicos ou limites intransponíveis para as novas obras.

O prolongado processo de estudo pela qual a arquitetura moderna passa no ambiente acadêmico, ressalta que arquitetura moderna não voltará a ser o que era. Para a produção de uma arquitetura contemporânea é preciso que haja uma relação equilibrada com o passado, sem nostalgia nem desrespeito pelas suas lições. Na arquitetura atual brasileira, surgem novos valores, apoiados nos ensinamentos bons e maus da experiência pregressa, sem deixar de sugerir inovações e obter resultados atuais.

Em entrevista para revista PROJETO DESIGN, edição junho de 2008, número 340, o arquiteto contemporâneo Márcio Kogan responde a seguinte pergunta.

-Qual é o desafio da arquitetura contemporânea?

Há algum tempo existem ações extremamente luxuosas e ricas na Europa, com a sobreposição de várias camadas numa só fachada. São três ou quatro fachadas num prédio, o que para a cultura brasileira, em que mal se consegue fazer uma camada bem feita, parece sem sentido. Acho que as coisas aqui, felizmente, são pé no chão, como é o caso também da arquitetura contemporânea portuguesa. Não temos supérfluos, e considero isso uma qualidade. A sustentabilidade, por sua vez, é um caminho sem volta. Nosso escritório está incorporando novos conhecimentos ás práticas sustentáveis que já utilizávamos, como a ventilação cruzada. Não se trata de algo tão novo: são conhecimentos familiares à arquitetura modernista brasileira, mas precisam ser reorganizados.

MARCIO KOGAN

UNA - Arquitetura

Fontes:
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.066/404
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/09.101/99
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=476306

Anúncios

Uma resposta para “9. Arquitetura Contemporânea

  1. tayna.

    mto bom, só qe um poko confuso :S

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s