1. O Começo – Arquiteturas Pré Colonial e Colonial

Instituto Socioambiental na Amazônia

O Instituto Sócio Ambiental(ISA), obra do escritório Brasil Arquitetura, localizado na Amazônia, reflete a influência das construções indígenas na contemporaniedade.

No ano de 1500 d.C., uma caravela saiu de Portugal rumo às Índias. Comandada por Pedro Álvares Cabral tal embarcação se perdeu no oceano Atlântico e acabou por ancorar, no dia 22 de abril, no litoral do que mais tarde se chamaria Brasil. Essa história, por muitos chamada de “Descobrimento do Brasil”, é a origem do nosso país . É indiscutível porém, que antes disso este território era habitado por seres humanos, com hábitos e costumes diferentes dos europeus, mas que também moravam e conviviam em espaços próprios da sua cultura e que revelam uma engenhosidade tamanha nas edificações, como por exemplo as ocas, com suas tramas de madeira que formam amplos espaços circulares e ovalados.

Com a chegada dos colonizadores europeus, houve a necessidade de novas construções, que seguiram um estilo diferente do que acontecia na Europa, enquanto lá ocorria o Renascimento, aqui um novo estilo, bem menos rebuscado predominava: o chamado estilo Colonial. Essa simplicidade se dá principalmente, pela falta de tecnologia adotada nas construções, construídas pela mão de obra escrava (primeiramente indígena e depois de origem africana), abundante no período.

Caracterizado por casas térreas e pequenos sobrados no meio urbano e casarões avarandados nas propriedades rurais, esse período vai desde aproximadamente 1534, quando foi implantado o sistema de capitanias hereditárias e se iniciou o processo de povoamento do país, até as primeiras décadas do século XIX. Concomitante também ocorre no país o chamado Barroco Brasileiro, que se restringe a igrejas e está melhor explicado no post referente a ele.

Vista de Ouro Preto, cidade da época colonial, considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO

Nas cidades e vilas, era possível observar características bem marcantes como o alinhamento das edificações as vias públicas e com as paredes laterais nos limites do terreno, bem como a inexistência de jardins ou áreas verdes nas áreas centrais. As edificações possuíam cobertura em duas águas feitas de telhas de barro , moldadas nas coxas dos escravos, e, nas residências de proprietários mais abastados, usava-se um detalhe próximo ao fim da linha do telhado, chamado de “eira”. Esse detalhe indicava o poder aquisitivo dos proprietários da residência.

A expressão “sem eira nem beira” se referia as casas mais simples, com pouco beiral e sem a eira.

Haviam cartas régias que determinavam a parte externa das edificações enquanto a planta e dimensionamento de cômodos eram liberados.

Quanto as técnicas contrutivas, utilizava-se o pau-a-pique, o adobe ou a taipa de pilão na maioria das edificações, já nas mais abastadas usava-se pedra e barro ou ainda pedra e cal. Observa-se nas edificações do período uma grande simplicidade, onde o que diferencia o poder aquisitivo dos proprietários(além da eira e da beira), são o número de cômodos e a tipologia da residência: térrea ou sobrado.

Sobrados em Ouro Preto

Nas térreas se usava o chão batido por piso, enquanto os sobrados apresentavam piso assoalhado. Em ambas as tipologias as esquadrias são simples e sempre simétricas, no caso dos sobrados, observa-se também a repetição do mesmo ritmo e mesmo tipo de esquadria em todos os pavimentos. O vidro passa a ser utilizado mais pro final do período, quando sua obtenção é facilitada, sendo comum então o uso de muxarabis e venezianas como forma de vedação das esquadrias.

Uso de muxarabis nas esquadrias de uma residência em Ouro Preto. No segundo pavimento já é possível observar o uso de venezianas.

Muxarabis são elementos trançados, geralmente de madeira, que permitem visibilidade de dentro pra fora mas não o contrário. Comuns na cultura árabe, na arquitetura brasileira são utilizados no período Colonial, sendo proibidos no período Neoclássico e resgatado anos mais tarde já no Modernismo.

Imagens:
Instituto Sócio Ambiental (ISA) – http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/marcelo-ferraz-francisco-fanucci-brasil-arquitetura-sede-do-isa-28-05-2009.html
Demais Imagens: Ana C. R. Paim, Ouro Preto, 2009.

2 Respostas para “1. O Começo – Arquiteturas Pré Colonial e Colonial

  1. Rafael MArtins de Almeida

    Parabéns por este trabalho bonito.

  2. bastante informativo, muita informação para um estudante de arquitetura 😉

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